Devido a sua grande experiência como psiquiatra e pesquisador da psicologia, Augusto Cury publicou um livro que retrata o cotidiano de pessoas que sofrem caladas as consequências de uma cruel realidade do mundo moderno: a ditadura da beleza. Nessa obra o autor dá um grito de alerta contra essa forma de opressão que vem deixando mulheres, adolescentes e até crianças tristes, frustradas e doentes.
Não é de hoje que somos bombardeados com um forte apelo pela valorização da estética. Abrimos as revistas, ligamos a TV, olhamos outdoors pelas ruas e lá estão modelos que brilham como ideal de perfeição feminina, sem falar do “culto” à malhação - imagens que pouco reflete os padrões reais da maioria da população.
Influenciadas pela mídia e preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, inúmeras pessoas acabam com sua auto-estima - e, muitas vezes, seus corpos – em busca da aceitação social e do desejo de se tornarem iguais a essas modelos.
Quando as mulheres pegam uma revista e veem que seu corpo não é igual à foto da modelo, elas têm um ataque de raiva, mas são perseverantes e a folheiam até o fim. O registro na memória humana é automático e involuntário. Depois de centenas de imagens registradas, forma-se uma janela Killer que contém uma imagem doentia e distorcida do belo. Depois de se exporem a milhares de outras imagens de pessoas com beleza incomum vindas da televisão, cinema e comerciais, forma-se um padrão doentio no inconsciente. Esse padrão torna-se uma zona de conflito que controla a emoção, gera ansiedade, insatisfação, contração da auto-estima, preocupação excessiva com a própria imagem, rejeição por alguma área do corpo. Todos esses são sintomas da síndrome do PIB (Padrão Inatingível de Beleza). Nesse contexto o homem passou a se tornar prisioneiro dentro de si mesmo. Essa é a pior prisão, pois é aquela que ocorre na mente. Vivemos numa ditadura onde o que é considerado belo está muito longe das nossas possibilidades. O padrão de beleza que a mídia vende mostrando sempre aquelas modelos macérrimas ou pessoas com corpos esculturais, em determinados lugares é considerado doença. Sim, doença! A maioria das modelos vive abaixo do peso considerado ideal para a saúde.
A todo o momento surgem novas dietas, clínicas de estética, tipos de ginásticas, vários produtos para o corpo, novos tratamentos antienvelhecimento, antiestrias, “anti-isso”, “antiaquilo...” ufa! É tanta informação e novas propostas que, se não tivermos senso crítico, somos levados a querer experimentar tudo ou, pior ainda, sentimos nossa auto-estima despencar. Nessa busca os caminhos muitas vezes são feitos ao contrário. Qual o nosso objetivo ao querer emagrecer? Eu quero emagrecer por que estou me sentido muito cansado, meus joelhos estão doendo, estou perdendo a agilidade e mobilidade, ou seja, por causa da minha saúde, ou simplesmente porque não me acho atraente, não sou aceito pela galera e estou fora do padrão de beleza? O que mais vemos hoje é que o bem-estar está mais ligado a essa prisão psicológica de atingir o “padrão” do que da própria saúde. O caminho certo seria “mente sã em corpo são”.
Estamos conectando vocês a esse assunto porque somos influenciados a ter uma imagem que não condiz sequer com nosso biótipo, abusando das dietas milagrosas, das fórmulas mágicas de remédios para emagrecimento e do excesso de exercícios físicos. Vai chegar um tempo em que esses excessos poderão trazer uma conseqüência grave ao organismo, levando a uma desnutrição silenciosa ou a uma fadiga crônica, prejudicando a vida profissional ou pessoal dessa geração. Precisamos respeitar o nosso organismo! Só para esclarecer, o processo de emagrecimento leva em média 18 meses. Portanto é preciso de um trabalho em longo prazo para se chegar ao peso e forma ideais.
As prioridades inverteram-se. Já reparou que falam mais em cirurgia para celulite do que para queimadura? Parece um problema de saúde pública. Agora virou foco de interesse não somente do médico como da própria televisão e da mídia que usa aquele gancho para poder faturar. O interesse é no produto como algo comercial e não médico. A cirurgia estética tornou-se um objeto de consumo cada vez mais separado do ambiente médico: porque uma amiga fez a outra tem de fazer também, então se chega a esse absurdo. Qual é a idéia hoje da cirurgia plástica? Primeiro a promoção mercadológica, segundo criar sonhos. O sonho de ser jovem eternamente e da beleza ideal. A cirurgia plástica não é uma cirurgia no corpo, mas no cérebro. Modifica-se a personalidade da pessoa com o bisturi. É a cirurgia da vaidade.
Estamos alertando sobre o PIB porque isso tem gerado confrontos com a realidade ou com sentimentos de frustração, medo, angústias e inseguranças. E essa parece ser uma questão do mundo atual. Basta olharmos para a incidência cada vez maior e mais precoce do número de casos de transtornos alimentares e depressões. Em certos casos, esses quadros são causados por dificuldades internas muito profundas, mas também são reforçadas por valores culturais, ou seja, a ditadura da beleza. Essa ditadura tem levado uma em cada 250 adolescentes ao quadro de anorexia e 20 % desses casos terminam em morte. Esse transtorno alimentar que surge, geralmente, na adolescência e se manifesta em 90% dos casos em meninas, gera uma necessidade de manter-se abaixo do peso adequado para a sua estatura, o medo intenso de ganhar peso e a distorção da imagem corporal.
É fácil reconhecer um começo de anorexia, basta observar se o indivíduo começa a perder peso rapidamente. A mudança é brusca, de uma hora para outra a pessoa fica com uma aparência cansada e com um Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo dos 15%, além de evitar fazer refeições com a família, só falar em perder peso, cortar os alimentos em pedaços bem pequenos, esconder a comida ou dar para o cachorro, praticar incessantemente atividades físicas ou buscar informações na internet sobre sites de anorexia para trocar experiências.
Essa é uma doença grave, multifatorial, com comprometimentos físicos e psíquicos. Por isso, necessita-se de muitos profissionais para o tratamento, dentre os quais se destaca o endocrinologista, psicólogo e nutricionista.
Poderíamos tratar também da bulimia que, dentre outros sintomas, caracteriza-se pela incapacidade de controlar o que come. Para "compensar" o ganho de peso, o bulímico exercita-se de forma desmedida, vomita o que come e faz uso excessivo de purgantes, diuréticos, entre outros. A vigorexia é uma doença que se apresenta nos homens que tomam anabolizantes na busca por corpos esculturais.
Contudo, nossa intenção não é produzir um texto acadêmico e sim fazer com que cada adolescente da Geração Conectada se sinta livre para ser o que é, sem se envergonhar de sua aparência e sem se comparar a ninguém. Gostaríamos de fazê-los compreender que a beleza está nos olhos de quem vê e que devemos ter um romance com nossa própria história, pois cada ser humano é um personagem único no palco da existência.
“A sabedoria não consiste em ser perfeito, mas em saber que não somos e ter habilidade de usar nossas imperfeições para compreender as limitações da vida e amadurecer.”
Pensamento extraído do livro “A ditadura da beleza e a revolução das mulheres” de Augusto Cury – Ed. Sextante
“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço, glorificai pois a Deus no vosso corpo.”
I Coríntios 6.19-20
segunda-feira, 31 de maio de 2010
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